A adoção ou aquisição de um animal envolve um compromisso para com a vida desse animal. Muitas pessoas adquirem impulsivamente animais de estimação, principalmente filhotes, sem se darem conta que esse ser deverá viver por 12 a 15 anos, que ele crescerá, que ele precisará de um ambiente e de espaço adequados, que ele dependerá diariamente de cuidados e de alimentos de qualidade. O resultado é que muitos animais são abandonados, especialmente no período que antecede as férias escolares ou as festas de fim de ano.

Por isso, trazer um animal para casa deve ser um exercício bastante refletido. Algumas perguntas que devemos nos fazer:

  1. Eu realmente desejo a companhia de um animal ou o que desejo é um objeto para exibir para meus amigos?*

  2. Minha casa tem espaço adequado para esse animal? Há abrigo para o animal repousar adequadamente?

  3. No caso de se tratar de um filhote, será que minha casa continuará adequada quando ele completar seu crescimento?

  4. Permanecerei nessa casa pelo tempo de vida desse animal? Em breve me mudarei para um lugar menor e precisarei me desfazer do animal?

  5. As pessoas que residem comigo aceitam e concordam com a vinda desse animal? Elas estão cientes do compromisso que temos com essa vida?

  6. Terei tempo de dedicar carinho e atenção para esse animal, não apenas nas primeiras semanas após sua aquisição, mas pela vida inteira?

  7. Tenho recursos para arcar com todos os custos da manutenção desse animal pelo tempo de sua vida?

  8. Estou consciente de que se trata de um animal que se alimenta e defeca todos os dias? Prontifico-me a alimentá-lo e limpar seu cocô e xixi todos os dias, pelo tempo de sua vida?

  9. Nas férias, feriados ou em caso de viagem terei onde deixar o animal?

  10. Uma vez adquirido o animal, terei condições de mantê-lo nos limites de minha propriedade ou ele terá acesso à rua, correndo o risco de ser atropelado, se perder, ser capturado pelo serviço de zoonoses, de atacar alguém ou adquirir alguma doença?

  11. Terei força física para conduzir meu animal em passeios, sempre atrelado a uma coleira?

* Pode ajudar nessa reflexão considerar que pessoas que realmente querem a companhia de um animal adotam animais sem raça definida em abrigos. Pessoas que querem animais para exibir compram animais de raça. Nesse último caso, recomendamos que a pessoa invista seu dinheiro em um objeto inanimado que certamente surtirá efeito mais positivo para impressionar a terceiros (ex.: uma moto ou uma roupa de marca).

Uma vez adquirido o animal, é importante que ele seja castrado. Isso, além de evitar crias indesejadas, altera positivamente alguns de seus comportamentos, tornando-o menos ansioso e mais companheiro, além de evitar doenças como cancer de útero, de ovários, de mama e de testículos.

Guarda ou tutela do animal, não posse

As reflexões ora expostas, com alguma variação, vem sendo difundidas por muitas entidades protetoras de animais a pelo menos 10 anos. Cabe, no entanto, fazer uma distinção conceitual entre as reflexões, como vinham sendo propostas anteriormente, e como propomos agora.

Invariavelmente, esse corpo de recomendações tem recebido o nome de "Posse Responsável de Animais". Porém, entendemos que posse seja uma relação econômica entre um proprietário e um objeto. Não podemos possuir animais da mesma forma que não podemos possuir seres humanos. Não somos donos nem proprietários de nossos animais, assim como não somos donos nem proprietários dos membros de nossa familia.

Embora o pronome possessivo seja usado - meu cachorro, nossos gatos - ele não deveria estabelecer uma relação de propriedade, assim como não estabelece nas relações entre as pessoas - minha namorada, nossos pais.

Pode parecer um detalhe, mas esse é um conceito fundamental. Embora as leis ainda permitam que se adquira animais a troco de dinheiro, pelo ponto de vista moral não temos propriedade desses animais, nem somos seus donos. Ao levarmos animais para casa tornamos-nos responsáveis por eles, o mesmo tipo de responsabilidade que temos para com nossos filhos.

Adotar ou adquirir um animal implica em adquirir sua guarda, sua tutela. A palavra tutela expressa adequadamente essa relação, pois tutela deriva do latim "tuere" - proteger. Quando somos donos de animais podemos arbitrar por sua vida ou morte; Quando somos seus tutores não temos outra opção senão preservar sua vida e torná-la a melhor possível.
Por esse motivo, há um contrasenso na idéia de posse responsável, pois possuir é poder fazer o que bem quiser com sua propriedade, enquanto que tutelar é reconhecer no tutelado a dependência e buscar sempre o seu bem.


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Comentários  

 
0 #1 Silvina 09-02-2011 13:10
Animas são seres vivos e sensíveis e assim devem ser tratados. É muito bom saber que há pessoas que pensam como eu. Acima disso, que, como eu, os respeitam.

=^..^=
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